A InovaTech – Empresa Júnior dos cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica da Universidade Estadual de Maringá (UEM) – concluiu o terceiro protótipo do simulador de capotamento, equipamento voltado à conscientização sobre a importância do uso do cinto de segurança. O projeto, desenvolvido por estudantes, já tem destino certo: foi adquirido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) de São Paulo e será utilizado em ações educativas e feiras no estado.
O equipamento reproduz o movimento de um capotamento real, girando o veículo em seu próprio eixo, com controle de rotação por meio de inversor de frequência, permitindo simular a experiência de forma segura e controlada.
Para a pró-reitora de Extensão e Cultura da UEM, professora Vânia Malagutti, o trabalho desenvolvido pelas empresas juniores representa, na prática, a concretização dos princípios da universidade pública, gratuita e de qualidade.
“Desde que assumi a Pró-Reitoria, em outubro, um dos primeiros eventos de que participei foi das empresas juniores de Maringá. Fiquei extremamente impressionada com o nível de organização, engajamento e profissionalismo dos estudantes. É um trabalho que revela valores e princípios que prezamos na universidade. Eles materializam isso na prática”, destaca.
Segundo a pró-reitora, as empresas juniores são projetos extensionistas que articulam ensino, pesquisa e extensão de forma integrada. “O estudante coloca o conhecimento em prática, dialoga com a sociedade, entende contratos, negociações e demandas reais. Sai da universidade muito mais preparado para o mundo do trabalho, com portfólio e experiência profissional ainda na graduação”, afirma.
Impacto social
O aluno do quinto ano de Engenharia Mecânica, Luis Felipe Pires Toso, que integrou a InovaTech por quase três anos e foi presidente da empresa júnior, explica que o simulador é uma marca criada em 2017. O primeiro protótipo foi vendido à Secretaria de Mobilidade Urbana de Maringá (Semob) e segue em uso em campanhas educativas.
“O simulador é, de fato, um carro que gira no próprio eixo para simular um capotamento. Ele evidencia como o cinto de segurança é essencial. Quando a pessoa fica de ponta cabeça, sente o peso do corpo sustentado apenas pelo cinto e percebe, na prática, a importância do equipamento”, explica.
Ao longo dos anos, o projeto passou por aprimoramentos estruturais e mecânicos. “No primeiro modelo, usamos uma base mais robusta, por cautela. Com o tempo, fomos otimizando a estrutura, estudando novas soluções, como o uso de carreta e melhorias no sistema de tração e rotação. É um processo contínuo de aprendizado técnico”, afirma.
O novo protótipo foi comercializado para a PRF, que destina recursos específicos para ações de conscientização no trânsito. “É muito gratificante ver um projeto desenvolvido por estudantes sendo adquirido por uma instituição federal e levado para ações educativas em outro estado”, ressalta Luis Felipe.
Além da sala de aula
Para o estudante, a participação na empresa júnior foi decisiva em sua formação. “Grande parte da minha graduação foi dedicada à InovaTech. Desenvolvemos projetos reais, aprendemos gestão, liderança, negociação, além do aprofundamento técnico. Eu faria tudo de novo”, diz.
A UEM conta atualmente com mais de 20 empresas juniores, envolvendo diferentes cursos. “O simulador é apenas um exemplo. Imagine o volume de projetos desenvolvidos nas demais empresas. É conhecimento aplicado diretamente na sociedade”, completa.
A professora Vânia reforça que esse movimento contribuiu, inclusive, para que a UEM figurasse recentemente entre universidades empreendedoras em levantamentos nacionais. “É fruto do trabalho dos docentes orientadores, dos coordenadores e dos estudantes. Projetos como esse dão visibilidade à universidade e mostram a potência da integração entre ensino, pesquisa e extensão.”
O professor Júlio César Dainezi de Oliveira. é o orientador da InovaTech, acompanhando os estudantes no desenvolvimento técnico dos projetos, com apoio de docentes dos departamentos de Engenharia Mecânica e Elétrica.
Expoingá
A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura já articula a participação da UEM na Expoingá 2026, com a proposta de levar projetos interativos que proporcionem experiências ao público visitante.
“Nossa expectativa é que as pessoas que visitem os estandes da UEM saiam com uma experiência concreta do que a universidade produz e como esse conhecimento beneficia a sociedade”, afirma a pró-reitora.
Embora o novo simulador já esteja vendido e não possa integrar futuras exposições da instituição, a gestão pretende abrir edital para seleção de projetos que representem a UEM em eventos externos, fortalecendo a visibilidade das ações extensionistas.
Fundada inicialmente por alunos do curso de graduação em Engenharia Mecânica, com apoio do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da Universidade, a empresa Inovatech surgiu com o intuito de capacitar os acadêmicos para o mundo empreendedor e o mercado de trabalho.
Em 2010, a Inovatech foi reconhecida oficialmente pelo Movimento Empresa Junior no Brasil (MEJ), por meio da Federação Paranaense (Fejepar) e da Confederação Brasileira (Brasil Júnior) de empresas juniores. Em 2011, houve a fusão com o recém-criado curso de Engenharia Elétrica, impactando positivamente as ações da empresa e aumentando o seu potencial de trabalho.
(Marcelo Bulgarelli/Comunicação UEM)