O Dezembro Vermelho é uma campanha nacional consolidada no Brasil para conscientizar, prevenir e combater o vírus HIV, a AIDS e outras Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), inspirada no Dia Mundial de Luta contra a AIDS (1º de dezembro), e institucionalizada pela Lei nº 13.504/2017. O objetivo é mobilizar a sociedade e serviços de saúde sobre prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e direitos das pessoas convivendo com o HIV.
Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), essa mobilização ultrapassa o calendário de dezembro. Ao longo de todo o ano, a universidade articula ações informativas baseadas em conhecimento científico produzido internamente, integra parcerias com serviços de saúde pública e promove, de forma contínua, campanhas, distribuição de preservativos e testagem orientada para a comunidade acadêmica e a população. Essa atuação perene reforça que a prevenção às ISTs não é apenas um compromisso de um mês, mas uma política permanente de saúde pública.
Simples, acessíveis e gratuitos: os preservativos continuam sendo uma das principais ferramentas de prevenção contra ISTs como sífilis, HIV, gonorreia e clamídia. Pesquisas apontam que, quando associados à testagem regular, reduzem significativamente a transmissão e permitem diagnóstico precoce, evitando complicações.
Em Maringá, os dados mais recentes reforçam que o cuidado ainda é necessário. Segundo números divulgados pela Prefeitura Municipal de Maringá ao portal GMC Online, o município registrou 730 casos de sífilis em 2025, uma redução de 31,39% em relação aos 1.064 casos contabilizados em 2024.
No último ano, foram 565 casos de sífilis adquirida, 64 em gestantes e 101 de sífilis congênita - quando a infecção é transmitida da mãe para o bebê durante a gestação. Embora o total geral tenha caído, os registros mostram que a prevenção e o diagnóstico continuam sendo estratégicos para conter a doença.
É nesse cenário que a UEM fortalece uma iniciativa para facilitar o acesso da comunidade acadêmica a métodos de proteção.
Parceria leva prevenção para além dos espaços formais de saúde
A ação reúne a Biblioteca Central Maria Grazia Zolet (BCE), o Ambulatório Médico e de Enfermagem da UEM e o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), vinculado à Secretaria de Saúde da Prefeitura de Maringá.
A partir da parceria, preservativos e autotestes de HIV passaram a ser disponibilizados gratuitamente não apenas no ambulatório, mas também na Biblioteca Central e nas bibliotecas dos câmpus regionais. A proposta é ampliar os pontos de retirada e tornar o acesso mais simples e discreto.
De acordo com o coordenador do Ambulatório Médico e de Enfermagem da UEM, Sérgio Ricardo Silva, a universidade já realizava campanhas de prevenção às ISTs, mas a ampliação dos locais de distribuição fortalece a estratégia.
“Essa medida é possível devido à parceria entre a BCE, o Ambulatório e o município de Maringá, por meio do CTA. A ideia é ampliar as possibilidades de acesso aos materiais de prevenção e garantir mais cuidado com a saúde dos alunos e servidores”, afirma.
Os materiais estão disponíveis no Ambulatório Médico e de Enfermagem - localizado na Rua Mário Clapier Urbinati, nº 38, a cerca de 50 metros do portão da Farmácia Ensino (FEN) - e também nas bibliotecas, com reposição contínua.
Biblioteca também é espaço de cuidado
A iniciativa dentro da biblioteca surgiu a partir de uma conversa entre a diretora da BCE, Márcia Regina Paiva, e a equipe do ambulatório. A percepção de que nem todos frequentam o serviço de saúde motivou a ampliação dos pontos de acesso. “Nem todo mundo vai ao ambulatório. Trazer pontos de entrega para a BCE torna o acesso mais acessível”, relata a diretora. Dados da BCE apontam que em média o espaço recebe 2.500 usuários por dia.
Caixas específicas foram instaladas na Biblioteca Central no câmpus sede, e, também, nos câmpus regionais da UEM em Ivaiporã (CRV), Cianorte (CRC), Cidade gaúcha (CAR), Goioerê (CRG) e Umuarama. Além disso, preservativos passaram a ser disponibilizados nos sanitários do primeiro e do segundo andar da biblioteca em Maringá, garantindo mais privacidade para quem prefere retirar o material de forma discreta.
A estratégia considera que ainda existe resistência ou constrangimento em torno do tema. “Ao integrar a prevenção à rotina acadêmica, a universidade contribui para naturalizar o cuidado com a saúde sexual", explica Paiva.
Informação, prevenção e acesso
Falar em prevenção não significa olhar apenas para o uso de preservativos. As infecções sexualmente transmissíveis podem evoluir de forma silenciosa. O uso combinado de preservativos, a testagem regular e o diagnóstico precoce continuam sendo as principais estratégias para interromper a cadeia de transmissão.
Outro importante agente da universidade nesse âmbito é o Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM). O HUM desempenha papel central na assistência a esses casos. O hospital atua como unidade de internação para complicações decorrentes do HIV.
Nesse cenário, a iniciativa da UEM de ampliar a distribuição gratuita de preservativos e autotestes no campus se insere como estratégia concreta de prevenção combinada de informação, prevenção e acesso. A informação, produzida e difundida em um ambiente universitário, está ancorada em evidência científica, dados epidemiológicos e orientação especializada, transformando conhecimento técnico em instrumento de conscientização e decisão responsável. A prevenção, baseada em estratégias combinadas como uso de preservativos e testagem regular. O acesso facilitado aos insumos na biblioteca e no ambulatório reduz barreiras, amplia a autonomia e incentiva o cuidado.
Ao integrar informação, prevenção, testagem e tratamento, a UEM consolida uma rede articulada de cuidado. Em um ambiente de formação acadêmica, a saúde sexual passa a ser tratada não como tabu, mas como parte da responsabilidade coletiva baseada em evidência científica, acesso facilitado e políticas públicas consolidadas.
(João Luiz Lazaretti/Comunicação UEM)