Quando o jovem Otávio Tsuyoshi Tsukada Miake, aos 18 anos, ingressou no curso Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Maringá (UEM), pensava que estaria apenas diante de desenhos, da estética ou com a ideia de projetar casas. Porém, logo nos primeiros dias de aula, viveu uma experiência que mudou completamente sua percepção sobre o curso.
Em 2023, ao entrar no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Adelaide Dezotti Tonon, em Sarandi, ao lado de colegas e professores, Otávio entendeu que a arquitetura também é cuidado, transformação e impacto social.
A atividade fazia parte do já tradicional Trote Solidário — uma iniciativa que substitui práticas antigas por ações concretas na comunidade. Pintura, organização de espaços, pequenos reparos, criação de murais, intervenções paisagísticas. Mais do que melhorias físicas, o projeto constrói algo maior: o senso de pertencimento e o olhar humano sobre os espaços. “Ali eu percebi que o curso ia muito além dos cálculos”, lembra Otávio.
Hoje, no quarto ano, ele vive intensamente tudo o que a universidade oferece: participa do centro acadêmico, de projetos de iniciação científica e de extensão. Para ele, é justamente essa vivência ampliada que torna a formação especial. “São essas discussões que vão além da técnica que fazem tudo ter mais sentido. A gente aprende a olhar o mundo de forma mais crítica”, afirma.
Otávio também destaca o papel dos professores nesse processo. “O corpo docente é muito engajado, traz debates contemporâneos e provoca a gente a pensar. A arquitetura está em tudo: no mobiliário, na casa, na cidade. Em todas as escalas.” E é exatamente isso que o curso proporciona: uma nova forma de enxergar o mundo.
Para quem passa pela UEM, a arquitetura deixa de ser apenas profissão e se torna forma de compreender a vida urbana. Foi a percepção da arquiteta Letícia Leoni Zaguine, formada pela universidade e que hoje atua no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maringá (IPPLAM). Quando ingressou no curso, em 2003, não imaginava a dimensão que a área poderia alcançar. “Um novo mundo se abriu diante de mim”, conta. “Não só pelos projetos arquitetônicos, mas principalmente pela descoberta do urbanismo.”
Foi na graduação que ela passou a entender a cidade como organismo vivo — com regras, dinâmicas e desafios próprios. Hoje, com quase duas décadas de formada e 14 anos de atuação no serviço público, ela contribui diretamente para o planejamento urbano de Maringá. “Tenho imensa satisfação de ter sido aluna da UEM. É gratificante poder ajudar a pensar e construir a cidade onde vivemos.”
Basta também andar pela cidade e ver a assinatura de arquitetos egressos da UEM em diversas obras. O Mercado Fratello, por exemplo, é um dos belos cartões de visita assinado por Aníbal Verri, hoje um arquiteto respeitado e professor do curso de Arquitetura e Urbanismo.
Por certo, a conexão entre teoria, prática e realidade também é percebida por quem ensina. Verri, docente desde 2003, destaca a qualidade dos alunos e o impacto da formação no mercado de trabalho.“Os estudantes que entram aqui passam por um processo seletivo exigente e respondem em alto nível quando são provocados. Isso se reflete depois na atuação profissional”, afirma.
Segundo ele, essa presença é visível, principalmente no setor público. “Em muitos concursos e órgãos, a maioria dos profissionais vem da UEM. Isso mostra a força da formação.”
Estudar Arquitetura e Urbanismo em Maringá traz um diferencial importante: a própria cidade como objeto de estudo. Planejada desde sua origem, Maringá permite aos alunos compreender, na prática, como fatores como topografia, infraestrutura, arborização e ocupação do solo influenciam o espaço urbano.
“Quando o aluno entende como a cidade funciona — como a água escoa, onde estão os sistemas, como o espaço foi pensado — ele projeta com mais consciência”, explica Verri.
Esse olhar integrado acompanha o estudante ao longo de toda a graduação e se reflete diretamente nos projetos que desenvolve.
Mais do que formar profissionais, o curso de Arquitetura e Urbanismo da UEM forma pessoas capazes de transformar realidades. Seja em ações comunitárias, no planejamento urbano ou na atuação em escritórios e projetos autorais, os caminhos são diversos — mas todos partem de uma mesma base: o olhar sensível sobre o mundo.
E, para muitos, essa escolha ultrapassa gerações. O próprio professor Verri viu suas filhas seguirem o mesmo caminho — uma já na pós-graduação e outra iniciando carreira em São Paulo. A arquitetura, a arte mais perene, ultrapassa gerações.
Entenda o Curso
O curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Maringá (UEM) é uma graduação presencial, em regime seriado anual e período integral, que forma arquitetos e urbanistas em nível de bacharelado, com duração mínima de cinco anos.
Voltado à formação de um profissional generalista, o curso prepara o estudante para compreender e transformar o espaço em que vivemos — das edificações às cidades — sempre com foco na qualidade de vida, no equilíbrio ambiental e no desenvolvimento sustentável. A proposta pedagógica integra conhecimentos técnicos, artísticos e sociais, capacitando o aluno a projetar, planejar e executar soluções que atendam às necessidades culturais, econômicas, estéticas e ambientais da sociedade.
Ao longo da formação, o estudante desenvolve competências em áreas como projeto arquitetônico, urbanismo, paisagismo, tecnologia da construção, conforto ambiental, patrimônio histórico e planejamento urbano e regional. Também adquire domínio de ferramentas contemporâneas, como softwares de desenho e modelagem, além de técnicas de pesquisa e análise do território.
Criado para atender à demanda regional por profissionais qualificados, o curso da UEM se destaca pela abordagem interdisciplinar e pelo compromisso com a realidade social. Um exemplo disso é o tradicional Trote Solidário, que há mais de duas décadas promove ações em comunidades em situação de vulnerabilidade, aproximando os estudantes da prática profissional com responsabilidade e cidadania.
Com essa formação ampla, o egresso está apto a atuar em diversas frentes, como projetos arquitetônicos, planejamento urbano, preservação do patrimônio, consultorias e gestão de obras, contribuindo de forma crítica e criativa para o desenvolvimento das cidades e da sociedade.
(Marcelo Bulgarelli/Comunicação UEM)