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Engenharia de Alimentos: dos laboratórios às prateleiras do mercado
Por Administrador
Publicado em 10/04/2026 21:20
Notícias de Maringá

Desenvolver novos alimentos, substituir aditivos químicos por naturais, elaborar tabelas nutricionais e rótulos e determinar o tempo de validade são algumas das funções aprendidas durante o curso de Engenharia de Alimentos. Com duração mínima de cinco anos, a graduação é ofertada pela Universidade Estadual de Maringá no câmpus sede (integral) e no Câmpus Regional de Umuarama (noturno).

Além da carga horária teórica, os estudantes têm contato com práticas de laboratório e oportunidades em projetos de ensino, pesquisa e extensão, além das empresas juniores, que são um demonstrativo do mercado de trabalho dentro da universidade. Na Empea Consultoria – Empresa Júnior de Engenharia de Alimentos de Maringá, as estudantes são responsáveis por todos os processos e operações e aprendem como aplicar os conhecimentos adquiridos em sala de aula.  

Fundada em 2008, a Empea é pioneira no segmento na região de Maringá e já atendeu mais de 350 clientes, inclusive de outros estados. As empresas procuram a consultoria para diferentes serviços, tais como: elaboração de tabela nutricional, rotulagem de produtos alimentícios, determinação de tempo de validade, análise sensorial, desenvolvimento de novos produtos, dentre outros. 

Segundo a diretora de gestão de pessoas, Izabella Meneses, do segundo ano da graduação, “os recursos adquiridos são investidos nos próprios membros, em capacitações e eventos da área”. Atualmente, 12 integrantes compõem sete diretorias, supervisionados pela professora Ana Paula Larrosa. Para participar, basta ser estudante de Engenharia de Alimentos na UEM. 

A presidente da Empea, Maria Raianny Sales de Alcântara, considera a atuação na empresa júnior essencial. “Aqui, nos aproximamos do que é o curso realmente, do que vamos encontrar depois no mercado de trabalho. Além disso, conhecemos pessoas de outros anos e sempre estamos em contato com estudantes de outros cursos, por meio das empresas juniores”, explicou.

Em Umuarama, a empresa júnior é a Ejea. Com um portfólio de serviços semelhante, o principal objetivo é desenvolver os membros para sua futura área de atuação ainda durante a graduação, começando com o processo seletivo, composto por etapas que se aproximam às de uma grande empresa. A professora Juliana Scanavacca coordena os atuais seis integrantes, distribuídos nas áreas de presidência, gestão de pessoas, jurídico-financeiro, marketing, vendas e projetos. 

A presidente Beatriz Freitas, do segundo ano da graduação, ressalta os benefícios da atividade: “além do desenvolvimento técnico na área de atuação, também evoluímos muito em habilidades como comunicação, gestão de tempo e resolução de problemas”. Segundo ela, a Ejea mantém o contato com a prática e contribui com networking e evolução do trabalho em equipe.  

Mão na massa

Em um dos laboratórios do bloco 13, no câmpus da UEM de Maringá, a professora Andresa Carla Feihrmann coordena diferentes projetos de pesquisa com produtos cárneos e lácteos com o objetivo de substituir aditivos químicos por naturais, evitando, por exemplo, a grande quantidade de gordura saturada em alimentos embutidos, como linguiça, salame, salsicha e mortadela. Juntamente com estudantes de graduação e de pós-graduação, os testes envolvem erva-mate, óleos vegetais amazônicos (de açaí, de pracaxi, de macaúba), extrato de jambu e satureja, que são ervas brasileiras.

“Nosso intuito é diminuir os aditivos químicos, então fazemos análise sensorial para verificar a aprovação. Se o consumidor perceber que alguma coisa está diferente do usual, ele não vai mais comprar. Por isso que a gente não consegue substituir totalmente os aditivos, só algumas proporções. E que proporção é a melhor? É isso que a gente investiga também. Faz diversos tratamentos com diversas proporções para ver qual é a melhor”, explica a pesquisadora.

Os projetos coordenados por Feihrmann já desenvolveram linguiça com erva-mate; hambúrguer, salsicha, mortadela e requeijão com óleo de açaí; bebidas lácteas com extrato de jambu, dentre outros alimentos. Também há pesquisas em andamento com óleo de pracaxi, de macaúba e até com farinha decorrente de insetos, em parceria com a Engenharia Química. A professora confirma que a procura dos estudantes para participar das pesquisas é grande, além disso, muitos voltam para o mestrado e o doutorado. 

A doutoranda em Ciência de Alimentos, Caroline de Oliveira, incentiva os estudantes a participarem das oportunidades que a graduação da UEM oferece. “Quando você participa de projetos de iniciação científica, você tem um contato mais prático e pode descobrir coisas de que gosta também, escolher por qual caminho seguir.” Na pesquisa atual, Oliveira trabalha com o queijo francês Boursin, testando a substituição de aditivos químicos por diferentes concentrações de satureja.

No curso de Umuarama, a professora Beatriz Cervejeira Bolanho Barros dá exemplos de projetos de pesquisa que envolvem o aproveitamento de subprodutos agroindustriais, como folhas, bagaços, cascas, para o desenvolvimento de alimentos funcionais e de projetos que visam agregar valor a plantas alimentícias não convencionais (PANCs), por meio de processos sustentáveis. Segundo ela, o engajamento e a dedicação dos estudantes é grande. 

“Os alunos ficam muito animados quando começam a participar e percebem que conseguem produzir um alimento saboroso e com maior valor nutricional, utilizando uma folha que praticamente não tem custo, que é subutilizada. Muitos alunos vêm com ideias de novos produtos e vamos testando. Nos eventos na comunidade, eles percebem o reconhecimento por ensinar, de forma fácil e econômica, formas de melhorar a alimentação das pessoas. Eles adoram esse contato e a troca de informações que surgem nessas oportunidades”, destaca Barros. 

O projeto de extensão em execução há mais tempo busca difundir conhecimentos a respeito de uma PANC, a ora-pro-nóbis. A professora explica que o projeto testa e padroniza receitas com adição de ora-pro-nóbis, como bolos, hambúrguer, panquecas, omelete, massa fresca, torta salgada, geleias, dentre outras. Em algumas receitas, as folhas podem substituir os ovos, devido à presença da mucilagem. As receitas são divulgadas em uma cartilha, com informações para a população. Os participantes já fiz 

No câmpus de Maringá, a coordenação é dos professores Antonio Roberto Giriboni Monteiro e Rita de Cassia Bergamasco. Em Umuarama, a  coordenadora é a professora Barbara Daniele Almeida Pociuncula. Nas duas unidades, os estudantes conhecem toda a parte teórica, além de processos realizados no setor industrial e de pesquisa, por meio de corpo docente e infraestrutura especializados.

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(Mônica Chagas/Comunicação UEM)

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