A Universidade Estadual de Maringá (UEM) será sede, entre os dias 9 e 12 de junho de 2026, do 7º Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários (CIELLI), um dos principais eventos acadêmicos da área de Letras no país.
Com o tema “Linguagem e Literatura em tensão com o contemporâneo: avanços, retrocessos, ameaças e desafios”, o encontro propõe reflexões sobre o papel dos estudos linguísticos e literários diante das transformações sociais, políticas e tecnológicas da atualidade.
Promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da UEM, o evento será realizado em formato híbrido, reunindo pesquisadores, professores e estudantes de diversas instituições do Brasil e do exterior. A programação inclui conferências, mesas-redondas, simpósios, minicursos, lançamentos de livros e atividades culturais.
Os três primeiros dias terão atividades presenciais, enquanto o último será dedicado aos simpósios em formato remoto. Ao todo, o evento terá carga horária de 40 horas.
Entre os destaques da programação está o simpósio “Discursos em Dissenso no Cinema, em Outras Artes e no Digital”, coordenado pelo professor e jornalista Thiago Ramari, em parceria com a professora Renata Marcelli Lara. A proposta é reunir pesquisas fundamentadas na Análise do Discurso de linha materialista, a partir das contribuições do teórico francês Michel Pêcheux.
“A gente vai trabalhar com o chamado discurso materialista, reunindo pesquisas que dialogam com o cinema, outras artes e também com o digital, que hoje é um meio de comunicação central na sociedade contemporânea”, explica Ramari.
Segundo o professor, o simpósio contempla diferentes objetos de análise. “Vamos ter vários autores sendo discutidos. No meu caso, vou trabalhar com o cineasta chileno Patricio Guzmán, a partir do documentário “Meu País Imaginário”, analisando o discurso do corpo nas manifestações populares que ocorreram no Chile entre 2019 e 2022”, destaca.
O avanço das tecnologias digitais e seus impactos na comunicação também estarão no centro dos debates. Para Ramari, o ambiente digital ampliou a circulação de vozes, mas trouxe novos desafios. “O digital democratizou a fala. Hoje, muitas pessoas podem se expressar ao mesmo tempo, mas isso não isenta ninguém de responsabilidade. Comentários criminosos, como os de teor racista, continuam sendo crimes”, afirma.
Ele também chama atenção para a polarização e a disseminação de desinformação nas redes sociais. “As fake news ganham uma circulação muito ampla e geram consequências reais na sociedade. É um cenário complexo e difícil de monitorar”, completa.
Outro ponto de destaque é o impacto da inteligência artificial na produção de textos e no ambiente acadêmico. Ramari adota uma posição crítica quanto ao uso indiscriminado da tecnologia. “O que tenho visto é que muitos alunos terceirizam para a inteligência artificial atividades que fazem parte do processo de aprendizagem. Isso é extremamente nocivo, porque o estudante deixa de desenvolver habilidades fundamentais”, avalia.
Apesar das críticas, ele reconhece usos positivos. “A IA pode ajudar na compreensão de conceitos mais complexos ou na indicação de referências. Mas, para além disso, seu uso precisa ser cuidadoso e ético”, pondera.
Segundo o professor, o avanço da tecnologia exige novas formas de regulação no ensino superior. “As instituições já começam a exigir que o uso de IA seja informado em trabalhos acadêmicos. Esse é um primeiro passo. A discussão é também ética”, afirma.
As inscrições para apresentação de trabalhos seguem até o dia 30 de abril e estão abertas a estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores. As comunicações serão realizadas em simpósios temáticos.
Serviço - 7º Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários (CIELLI) - de 9 a 12 de junho na UEM , Mais informações sobre inscrições e programação podem ser acessadas nos canais oficiais do evento.
(Marcelo Bulgarelli/Comunicação UEM)