Offline
MENU

Câmpus de Ivaiporã da Universidade Estadual de Maringá: 16 anos em desenvolvimento regional
Por Administrador
Publicado em 14/05/2026 11:47
Notícias de Maringá

O Câmpus Regional do Vale do Ivaí (CRV) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em Ivaiporã, chega aos 16 anos consolidando-se como um importante polo de ensino superior público no interior do Paraná. Criado em 2010 por meio de decreto estadual, o câmpus nasceu com a missão de ampliar o acesso à educação gratuita e de qualidade em uma das regiões historicamente mais carentes do estado — e hoje colhe os frutos desse projeto.

Atualmente, o CRV oferta os cursos de Educação Física, História e Serviço Social, reunindo cerca de 230 estudantes matriculados e já tendo formado 279 profissionais ao longo de sua trajetória. A estrutura conta com 26 docentes e 17 servidores técnico-administrativos, além de uma infraestrutura própria que inclui salas de aula, biblioteca, laboratórios e um amplo complexo esportivo.

Segundo o diretor do câmpus, Eduard Angelo Bendrath, os últimos anos foram decisivos para a consolidação da unidade, especialmente no que diz respeito à infraestrutura e à expansão acadêmica. “A universidade não veio de forma passageira; ela veio para ficar, se consolidar e crescer cada vez mais. A comunidade acadêmica faz parte dessa história”, destacou.

O reitor da UEM, Leandro Vanalli, reforça a importância das parcerias institucionais para o fortalecimento do câmpus. Ele anunciou o lançamento iminente de edital de licitação para novas obras e melhorias na iluminação, além de destacar o acordo com a prefeitura de Ivaiporã para a concessão de 20 bolsas de estudo — medida considerada estratégica para garantir a permanência estudantil no período pós-pandemia.

A parceria com o município, liderado pelo prefeito Luiz Carlos Gil, também tem sido fundamental para viabilizar investimentos e ampliar o alcance social da universidade na região.

Um dos principais anúncios foi a criação do Centro de Excelência em Pesquisa e Informação na Área da Saúde, que contará com investimento de R$ 5 milhões do Governo do Estado. De acordo com Bendrath, o projeto é resultado de um esforço conjunto entre departamentos da universidade, lideranças políticas e apoio parlamentar, incluindo o deputado Ademar Traiano. “A consolidação deste Centro é o primeiro passo de algo muito maior que está por vir”, afirmou. 

Impacto regional
O câmpus ocupa uma área de mais de 50 mil metros quadrados, incluindo o ginásio Sapecadão, pista de atletismo e campo de futebol, utilizados em atividades de ensino, pesquisa e extensão. Desde 2018, a unidade funciona em sede própria, com ambientes modernos e climatizados.

Os cursos ofertados apresentam bons indicadores de qualidade. Educação Física e Serviço Social obtiveram nota 4 no Enade e nos indicadores do MEC, enquanto História mantém avaliação satisfatória em processo de consolidação. Esses resultados reforçam o papel do câmpus na formação de capital humano e no desenvolvimento regional.

Ao longo de seus 16 anos, o CRV contribuiu diretamente para transformar a realidade local, ampliando o acesso ao ensino superior e fomentando ações acadêmicas voltadas às demandas do Vale do Ivaí. Com novos investimentos, expansão de cursos e fortalecimento das parcerias, a tendência é de crescimento contínuo. 

Serviço Social

Ao longo dos 16 anos, o Curso de Serviço Social consolidou-se como uma das experiências mais relevantes de interiorização do ensino superior público no Paraná, articulando formação acadêmica de excelência, compromisso social e atuação direta junto às demandas da classe trabalhadora. 

“Inserido em uma região historicamente marcada por desigualdades sociais, precarização das condições de vida e limitações no acesso a direitos, o curso tornou-se um espaço fundamental de formação crítica e de fortalecimento das políticas públicas”, comenta a coordenadora Edinaura Luza.

Desde sua implantação em Ivaiporã, o curso assumiu o compromisso de formar assistentes sociais capazes de compreender, de maneira rigorosa e crítica, as múltiplas expressões da questão social — como pobreza, violência, desigualdades de classe, raça e gênero, insegurança alimentar, violações de direitos e exclusão social — atuando de forma ética, qualificada e comprometida com a transformação da realidade. 

Ao longo dessa trajetória, centenas de profissionais que saíram do curso passaram a ocupar espaços estratégicos em políticas públicas, instituições públicas e privadas, organizações sociais, movimentos populares e diferentes serviços de proteção social em todo o país. 

São profissionais que atuam cotidianamente na defesa do Sistema Único de Assistência Social, do Sistema Único de Saúde, da educação pública, da previdência social, dos direitos humanos, e em outras frentes, contribuindo para a construção de respostas concretas às demandas da população e para o enfrentamento das profundas desigualdades que atravessam a sociedade brasileira.

A força do curso também se expressa na articulação permanente entre ensino, pesquisa e extensão universitária. Por meio de projetos extensionistas, assessorias, ações comunitárias, atividades socioeducativas e pesquisas socialmente referenciadas, docentes e discentes constroem uma universidade conectada aos territórios e às necessidades reais da população. Essas iniciativas fortalecem redes de proteção social, produzem conhecimento crítico sobre a realidade regional e ampliam o acesso da comunidade a direitos, serviços e processos de organização coletiva.

No campo da pesquisa, o curso vem contribuindo para o debate acadêmico e político sobre temas centrais da contemporaneidade, como desproteção social, violência, relações étnico-raciais, gênero, trabalho, políticas públicas e direitos sociais. Trata-se de uma produção intelectual comprometida não apenas com a interpretação da realidade, mas também com a construção de alternativas emancipatórias diante dos desafios impostos pela intensificação das desigualdades e pelos constantes ataques às políticas sociais e à universidade pública. 

Educação Física

O curso de Educação Física, no câmpus regional de Ivaiporã, vive um momento de expansão, fortalecimento acadêmico e aumento da procura por parte dos estudantes da região. A avaliação é do coordenador do curso, professor William Fernando Garcia, que destaca as transformações implementadas nos últimos anos e os impactos positivos na formação dos alunos.

Segundo o coordenador, o curso iniciou suas atividades em Ivaiporã vinculado a um departamento da sede da UEM em Maringá, com oferta exclusiva da habilitação em licenciatura e funcionamento em período integral, o que dificultava o acesso e a permanência dos estudantes da região.

“Com o passar do tempo, nós melhoramos essas condições de acesso dos alunos ao curso. Passamos o curso que era integral para o período noturno, e esse foi um grande avanço do ponto de vista da aderência e da procura das pessoas da região pela graduação”, afirma William Garcia.

Ele ressalta ainda que outro diferencial importante foi a ampliação das habilitações oferecidas. “Hoje nós podemos dizer que temos dois cursos funcionando no campus: a licenciatura e também o bacharelado, que é uma formação bastante atrativa do ponto de vista do mercado profissional”, explica.

De acordo com o coordenador, muitos acadêmicos acabam cursando as duas habilitações ao longo da trajetória universitária. “Os alunos geralmente optam por fazer uma habilitação e depois complementam com a segunda, recebendo assim as duas formações”, destaca.

Atualmente, o curso de Educação Física da UEM em Ivaiporã conta com cerca de 130 alunos matriculados, número considerado expressivo para uma cidade de aproximadamente 30 mil habitantes.

“Isso mostra que as pessoas realmente aderiram, gostaram e compraram a ideia do curso noturno e do bacharelado. Muitas pessoas têm procurado a Educação Física para buscar uma melhor formação profissional, uma segunda graduação ou até mesmo a primeira formação”, comenta o professor.

Outro ponto destacado pelo coordenador é a qualificação do corpo docente. Segundo ele, o curso possui atualmente dez professores efetivos, além de docentes temporários que atuam em áreas específicas.

“Nós temos um quantitativo de profissionais muito bom para atender o curso, e são docentes extremamente qualificados, muitos deles vinculados aos programas de pós-graduação da UEM”, afirma.

Entre os programas citados estão o PROEF, mestrado profissional voltado à Educação Física escolar, e o Programa de Pós-Graduação Associado em Educação Física UEM/UEL. Para William Garcia, isso amplia as possibilidades acadêmicas dos estudantes do campus regional.

“Nós oportunizamos ao aluno que está concluindo a licenciatura ou o bacharelado ter contato com professores que atuam na pós-graduação e que podem orientar esses acadêmicos futuramente”, destaca.

Além das atividades de ensino, o coordenador reforça a forte atuação do curso nas áreas de pesquisa e extensão. Segundo ele, todos os docentes participam de projetos e os acadêmicos têm acesso a bolsas de iniciação científica e extensão.

“O curso gira em torno do tripé universitário de ensino, pesquisa e extensão de uma maneira bastante viva no câmpus”, enfatiza.

William Garcia também chama atenção para a construção de um novo bloco destinado especificamente ao curso de Educação Física, obra que está em processo de licitação e deverá ampliar os espaços físicos para aulas, projetos e atividades acadêmicas.

“O curso vem crescendo e necessitando cada vez mais espaços de trabalho. Os alunos têm se vinculado a mais projetos e isso mostra que o curso tem caminhado de uma maneira bastante próspera”, avalia.

Por fim, o coordenador observa que Ivaiporã vem consolidando um perfil cada vez mais universitário, impulsionado pela presença das instituições de ensino superior na região. 

História 

O curso de História do CRV completa 16 anos de atuação, consolidando-se como uma das principais referências em formação docente e produção de conhecimento histórico na região do Vale do Ivaí. Criado oficialmente junto ao campus, o curso atende atualmente 76 estudantes e exerce papel estratégico na integração entre ensino, pesquisa e extensão universitária.

Com alunos vindos de municípios como Jardim Alegre, Lunardelli, São João do Ivaí, São Pedro do Ivaí, Lidianópolis, Cruzmaltina, Faxinal, Grandes Rios, Manoel Ribas, Cândido de Abreu e Arapuã, o curso se destaca também pela forte presença indígena. Hoje, 19 estudantes kaingang integram a graduação, representando 25% do total de matriculados. Eles pertencem às Terras Indígenas Ivaí, em Manoel Ribas, e Faxinal, na região de Cândido de Abreu.

De acordo com o professor Luis Fernando Pessoa, o curso vem ampliando sua relevância social e acadêmica ao longo desses 16 anos. “Chegamos a 2026 com a certeza de que o curso de História do CRV já se consolidou como referência regional no ensino superior. Isso é resultado do trabalho coletivo de professores, estudantes, técnicos e da própria comunidade, que participa ativamente das nossas ações de ensino, pesquisa e extensão”, afirma.

O docente destaca que a extensão universitária é uma das marcas do curso. Mais de 50 alunos participam atualmente de projetos extensionistas desenvolvidos em parceria com instituições culturais, escolas e comunidades locais. “Nosso objetivo é fazer com que a Universidade esteja cada vez mais presente na vida da população do Vale do Ivaí. Ao mesmo tempo, buscamos trazer a comunidade para dentro do ambiente acadêmico, ouvindo suas demandas, memórias e projetos”, ressalta.

Entre as iniciativas recentes, estão visitas técnicas ao Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre, em Tupã (SP), ao Museu Indígena Worikg, em Arco-Íris (SP), além de atividades realizadas na Casa da Memória Vera Vargas, em Ivaiporã, e no Etno Parque Ré Si, localizado na Aldeia Ivaí, em Manoel Ribas.

A Casa da Memória Vera Vargas, inaugurada em setembro de 2025, tornou-se um dos principais espaços de atuação do curso e símbolo da integração entre universidade e comunidade. O projeto nasceu a partir de ações extensionistas coordenadas pela professora Neilaine Ramos Rocha de Lima, em parceria com lideranças locais.

“A Casa da Memória representa muito do que acreditamos enquanto universidade pública. Ela surgiu de um desejo antigo da comunidade e foi viabilizada por meio da extensão universitária, mostrando como a produção acadêmica pode dialogar diretamente com a sociedade”, destaca Luis Fernando Pessoa.

O curso também mantém projetos de iniciação científica em diversas áreas, como arqueologia, história regional, história antiga e patrimônio cultural. As pesquisas contam com o apoio de professores ligados ao Laboratório de Etnologia e Etno-História da UEM.

Outro aspecto destacado pelo professor é o compromisso com a inclusão e permanência estudantil. Além das políticas de apoio aos estudantes indígenas, o CRV oferece alimentação subsidiada e acompanha alunos com necessidades educacionais específicas por meio de programas institucionais.

“Temos um compromisso muito forte com a inclusão, com a permanência e com a valorização da diversidade cultural presente no Vale do Ivaí. Isso faz parte da identidade do nosso curso”, enfatiza.

Ao longo de sua trajetória, o curso também já formou profissionais que hoje atuam como pesquisadores, professores e pós-graduandos em diferentes instituições do país.

 “É motivo de orgulho acompanhar o sucesso dos nossos egressos e perceber que a formação recebida aqui teve impacto direto em suas trajetórias acadêmicas e profissionais. Isso reforça a importância da presença da UEM no interior do Paraná”, conclui o professor. 

(Marcelo Bulgarelli/Comunicação UEM)

Comentários
Comentário enviado com sucesso!