A infância precisa de muito mais do que um teto. Precisa de colo, escuta, rotina, cuidado, paciência, afeto e, principalmente, de alguém que ofereça segurança em meio ao medo. Foi com essa proposta de sensibilização e diálogo que ocorreu a II Semana Municipal de Conscientização sobre Acolhimento Familiar, em que foram debatidos os direitos da criança e do adolescente e abordadas informações sobre o serviço ‘Família Acolhedora’, implantado no município em 2007. Promovido pela Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Assistência Social, Políticas sobre Drogas e Pessoa Idosa (SAS), o evento reuniu servidores do município e convidados.
O acolhimento familiar é uma medida temporária e protetiva. As famílias acolhedoras recebem capacitação, acompanhamento técnico e subsídio financeiro para garantir os cuidados necessários durante esse período. A missão das famílias é oferecer proteção, estabilidade emocional e afeto até que a criança ou adolescente possa retornar à família de origem, ser encaminhado à família extensa ou, quando não houver outra possibilidade, seguir para adoção legal. Para participar do serviço, os interessados não podem estar habilitados ou ter intenção de adoção, já que o objetivo do acolhimento é oferecer cuidado temporário e proteção.
“Ser família acolhedora é entender que existe início, meio e fim. É saber que será uma passagem de amor na vida daquela criança durante o tempo em que ela estiver com você, mas também se preparar para deixá-la seguir o próprio caminho quando chegar a hora da adoção ou retorno à família. É ser colo, afeto e cuidado”, declarou Sueli Melo, participante do serviço há mais de 15 anos.
A professora da rede municipal de ensino Miriam de Lima, que acompanha e apoia a iniciativa por meio da divulgação e conscientização sobre o acolhimento familiar, classificou o serviço como um verdadeiro ato de amor. “É importante que a sociedade conheça mais esse serviço. Muitas crianças precisam desse cuidado e desse acolhimento. Quando uma família abre as portas da casa e do coração, ela transforma não só a própria vida, mas também a vida dessas crianças”, comentou.
A diretora da unidade do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, Karolline Baretta, ressaltou a sensibilidade envolvida no trabalho desenvolvido diariamente. “O acolhimento familiar é um cuidado construído com carinho, responsabilidade e sensibilidade. Nosso objetivo é garantir que essas crianças e adolescentes tenham proteção e a oportunidade de viver em um ambiente familiar estável e seguro enquanto passam por esse momento delicado. É um serviço que coloca o afeto no centro do cuidado.”
Cada caso é acompanhado por equipes técnicas especializadas, que atuam tanto com a criança quanto com a família de origem, visando reconstruir vínculos e possibilitar o retorno familiar sempre que for seguro e possível. O acolhimento possui caráter excepcional e provisório, com duração máxima prevista de até 18 meses, sempre priorizando aquilo que melhor atende às necessidades da criança ou do adolescente.
“O acolhimento familiar é uma política pública construída com responsabilidade, sensibilidade e compromisso com a proteção das nossas crianças e adolescentes. O serviço garante cuidado individualizado, convivência familiar e oportunidades para que essas crianças atravessem um momento difícil com dignidade”, afirmou o secretário de Assistência Social, Políticas sobre Drogas e Pessoa Idosa, Leandro Bravin.
Como se tornar uma ‘Família Acolhedora’ - As famílias interessadas podem se inscrever pelo site da Prefeitura de Maringá (confira aqui) ou entrar em contato com o serviço pelo telefone (44) 3127-2415 ou pelo e-mail: sasc_acolhimento_familiar@maringa.pr.gov.br.
Sobre o serviço - O Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora foi reconhecido como prioridade no Brasil em 2009, por meio da Lei Federal nº 12.010, e regulamentado pela Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais. A legislação estabelece que o acolhimento familiar deve ser priorizado em relação ao acolhimento institucional, por proporcionar às crianças e adolescentes um ambiente mais humanizado, individualizado e afetivo durante o período de afastamento temporário da família de origem por medida de proteção.
(Texto: Comunicação PMM. Foto: Rafael Macri/PMM)