Vereadora levará discussão à tribuna da Câmara nesta terça-feira (18), após assinatura de termo de cooperação para atendimento psicológico a mulheres em situação de violência
No Dia Nacional da Mulher Empresária, celebrado nesta segunda-feira (17), a vereadora e presidente da Câmara Municipal de Maringá, Majô, destaca a importância de ampliar as condições para que mulheres tenham autonomia econômica, profissional e pessoal. O tema será levado por ela à tribuna da Câmara na sessão desta terça-feira (18).
A data, instituída pela Lei Federal nº 14.545/2023, é celebrada em 17 de agosto e reconhece as mulheres que exercem atividade econômica organizada para produção ou circulação de bens e serviços.
Em Maringá, a participação feminina no mercado de trabalho já representa uma parcela significativa da economia local. Dados da RAIS apontam que as mulheres correspondiam a 47,2% dos trabalhadores formais do município em 2025. Apesar disso, a remuneração média feminina foi de R$ 3.297,18, enquanto a masculina chegou a R$ 3.805,46, evidenciando que a participação no mercado ainda convive com desigualdades.
A discussão ganha ainda mais relevância diante da assinatura, realizada nesta segunda-feira, de um termo de cooperação entre a Unicive e o município, com o objetivo de ampliar e dar continuidade ao atendimento psicológico destinado às mulheres em situação de violência atendidas pelo Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM).
Para Majô, as duas agendas fazem parte de uma discussão mais ampla sobre autonomia feminina: de um lado, o fortalecimento da rede de acolhimento e proteção para mulheres em situação de violência; de outro, a criação de oportunidades para que elas tenham acesso à qualificação, ao trabalho, à renda e ao empreendedorismo.
"Quando falamos sobre mulheres empreendedoras, não estamos falando apenas sobre negócios. Estamos falando sobre autonomia, oportunidade e liberdade de escolha. Ter renda, profissão e condições de se sustentar pode fazer diferença na vida de uma mulher, inclusive quando ela precisa romper com uma situação de violência."
A parceria reforça a importância de uma rede de atendimento articulada para mulheres que enfrentam situações de violência. Em Maringá, dados do Plano Municipal de Políticas Públicas para Mulheres apontam que 6.132 mulheres foram vítimas de violência em 2025, o equivalente a quase 17 casos por dia. O município também registrou um feminicídio no período.
A discussão também se relaciona ao Projeto de Lei Mulher Forte, Cidade Forte, de autoria de Majô, que está em pauta na Câmara e estabelece diretrizes para ações de qualificação profissional, incentivo ao empreendedorismo feminino e fortalecimento da participação das mulheres no mercado de trabalho.
A proposta parte da compreensão de que a autonomia econômica pode ser uma das ferramentas para ampliar as possibilidades de escolha das mulheres e integra uma agenda mais ampla de políticas voltadas à promoção da autonomia feminina.
Autonomia como prevenção
A relação entre independência econômica e enfrentamento à violência tem ganhado espaço nas discussões sobre políticas públicas para mulheres. Em 2025, o Ligue 180 registrou 155.111 denúncias de violência contra mulheres no Brasil, alta de 17,4% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre de 2026, foram mais 45.735 denúncias, aumento de 23% em relação ao mesmo período de 2025.
No primeiro semestre de 2026, o Brasil registrou 741 feminicídios, segundo o Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, do Ministério da Justiça e do Ministério das Mulheres. O Paraná esteve entre os estados que apresentaram aumento na comparação com o primeiro semestre de 2025.
Para Majô, os dados reforçam a necessidade de políticas que atuem em diferentes frentes.
"Uma política para mulheres precisa olhar para a mulher por inteiro. Precisamos garantir acolhimento para quem está vivendo uma situação de violência, mas também criar oportunidades para que ela tenha autonomia, desenvolva sua carreira, empreenda e tenha condições de construir o próprio caminho. É esse olhar que está por trás do Mulher Forte, Cidade Forte."
(Texto: Assessoria. Foto: Ricardo Lopes/PMM)